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A Experiência na Torre, o momento que definiu a vida de Lutero, pela mão de Nick Page

Publicado em 3 minutos de leitura

Este verão, comentei com uma amiga quão pouco sabia sobre a história do Cristianismo — Cristo, igreja primitiva, Reforma Protestante, e mais nada. Pouco depois, como presente de aniversário, chegou à minha caixa de correio A Nearly Infallible History of Christianity: Being a history of 2000 years of Saints, Sinner, Idiots and Divinely-Inspired Troublemakers., escrito pelo Nick Page, que combina a pesquisa e o humor no relato e comentário da história do Cristianismo.

Capa do livro A Nearly Infallible History of Christianity, de Nick Page

Nick Page começa na ressurreição e acaba na eleição do Papa Francisco, percorrendo mais de 2000 anos de história de viagens, assassinatos, torturas e revoltas, a certa altura aceleradas pelo poder da impressão: como ele diz, «Quando as pessoas podem ler as coisas por si próprias, podem tirar as suas próprias conclusões. Já não têm de acreditar em tudo o que lhes dizem». Page dedica um capítulo à Reforma Protestante.

A Reforma celebra quinhentos anos, assinalando o dia em que, segundo a tradição, Martinho Lutero pregou as Noventa e Cinco Teses à porta da igreja de Todos-os-Santos em Wittenberg, a 31 de outubro de 1517. Este momento marca o início da Reforma, embora o que saibamos com certeza desse dia é que Martinho Lutero enviou uma carta aos seus superiores, onde incluía as teses, a insurgir-se contra o pagamento de indulgências e a pedir que o dinheiro fosse restituído. A imprensa tinha sido revolucionada cerca de cinquenta anos antes: rapidamente, cópias foram distribuídas.

Retrato de Lutero a pregar as 95 Teses, por Julius Hübner Retrato de Lutero a pregar as 95 Teses, por Julius Hübner

Não foi esse, no entanto, o momento que definiu a vida de um Lutero até ali atormentado pela incerteza da sua salvação, mas um que aconteceu meia década antes, quando ele estava a estudar o Novo Testamento Grego de Erasmus — uma edição em grego e latim e a primeira edição crítica do Novo Testamento:

For a long time, Luther had been oppressed by a sense of guilt, sinfulness and failure. No amount of penitence and confession, of attending mass and doing good deeds could assuage this.

Then he started to read Erasmus’ Greek New Testament, and he found himself deeply disturbed. He began to think about the words of Paul’s letter to the Romans ‘All have sinned and fall short of the glory of God, and are now made righteous by his grace as a gift.’ What if God could actually make people righteous? Augustine had claimed this to be the case, but Augustine believed that God made people righteous by enabling them to keep his laws. To Luther this was impossible. No one could keep all those laws. Works couldn’t possibly get you to heaven. Only Christ was that perfect.

But what if when Christ died, his righteousness was transferred to us? Credited to our account? That’s when Paul’s idea of justification came in. In the words of Romans 5.1, ‘By faith we have even made acceptable to God.’ This belief changed everything. Confession, absolution, penitence, prayers to the saints – none of this made any difference.

Antes de ser excomungado, Lutero foi acusado de pôr em causa o ensinamento papal sobre as indulgências e recebeu oportunidade de se retratar. Lutero recusou:

For him it was impossible that the church could overrule the Bible. So he ended up denying the primacy of the pope and the infallibility of the general councils.

Ladies and gentlemen, welcome to the Reformation.

A Nearly Infallible History of Christianity é uma boa leitura para acompanhar a observação da Reforma. Leituras paralelas: o livro Cuidado com o alemão: Três dentadas que Martinho Lutero dá à nossa época, do Tiago Cavaco, sobre o qual o estudante João Cid escreveu uma recensão para o GBU.